glossário do esquema conceitual do possível serdual - ascenso e descenso

Ascenso e Descenso

O ascenso e o descenso são movimentos relacionais do sujeito e a estrutura. São potencializados pela intencionalidade e dão-se ciclicamente.

Pois se há desejos, há possibilidades. E, se há possibilidades, há sempre alguma transcendência que se pretende transformar em imanência, a forçar as oportunidades surgirem, pelas forças das realizações humanas. Haverá assim, conteúdos mentais que levarão à ação, a padrões comportamentais e mesmo às histerias coletivas a partir das possibilidades que são compartilhadas por todos, sejam voltadas para o consumo, para as celebridades, modas ou até religiões, em um nível ainda inferior ao fundamentalismo, que é o limite da obsessão.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XII)

“Ao se prosseguir nas decisões que a vida exige rumo ao “topo”, o sujeito começa a perceber que sempre que “vence” e ascende na estrutura passa a ter menos possibilidades para exercer a liberdade prometida e desejada. Parece que terá sempre menos possibilidades, que ficará mais preso. Mas tudo isso é apenas suposições, visto que nunca poderá ser uma informação precisa e certeira, até pela dificuldade de conceber quais são todas estas restrições, especificamente.

Mas, mesmo que não consiga perceber todas as possibilidades que deixará de ter, será sempre mais óbvio perceber todas as impossibilidades que surgem imediatamente nos pensamentos. E isto se dá a partir de que precisará deixar sua atual posição para trás, e deixar de ter as possibilidades que tinha, mais facilmente acessíveis. É uma luta de suas crenças, desejos e vontades a combaterem entre si, entre os tempos que são conhecidos e desconhecidos no lapso temporal aberto.

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Ou seja, um combinado de lástimas: precisará largar as atuais possibilidades e isto gera um sentimento de perda, ao passo que simultaneamente perceberá muitas impossibilidades para onde está a se dirigir e não saberá sequer quais serão as novas possibilidades que terá no futuro imediato, mas sente que serão em menor número, o que não parece ser uma vantagem ou vitória. Tudo isso a formar uma bomba mental prestes a explodir, um perigo iminente e que se faz necessário ou correr em desatino ou ficar completamente paralisado, a fingir-se de morto, ou mimeticamente disfarçado. Pode-se lutar, e continuar, e alguns fazem, ao seguirem adiante. É uma cilada, de todas as formas!

E isso gera incertezas, mas não apenas elas. Há alguma lógica nisto tudo. Parecem existir mais determinismos sobre o que se espera que se faça quando mais alto se está na estrutura da vida, e isto é muito contraditório, pois progredir passa a significar que, ao invés das máximas possibilidades e das liberdades para curtir tudo o que há, contrariamente ocorre um aprisionamento dentro de uma estrutura que exigirá maior dedicação e que muito menos sobrará ao sujeito a ocupar uma posição “superior”, ao passo que muito valorizará o objeto que este passará a representar, ao transformá-lo exatamente neste mero agente funcional, em uma peça da engrenagem que opera tudo para ser como é.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. IV)

O ascenso e o descenso: Conteúdo Protegido.

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