glossário do esquema conceitual do possível serdual - Atualidade Kantiana

Atualidade Kantiana

Sobre a Atualidade Kantiana: “Mas, em resumo, independente da origem, e em prol da produtividade intelectual, o que poderíamos considerar como Universo, enquanto conjunto de tudo o que há? Há “dois” destes Universos, ao menos.

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O primeiro “Universo” é o já conhecido, e que “aumenta” constantemente, por sabermos mais e mais sobre ele a cada novo dia, pelos avanços científicos dados em todos os campus de investigações acadêmicas. Os registos deste Universo conhecido podem ser equiparados ao conhecimento científico que temos, à base de dados acumulada desde sempre. Ainda que seja um cálculo muito difícil e complexo, não seria impossível dimensionar os limites do conhecimento atual singular em um destes supercomputadores que surgem cada vez mais potentes e velozes;

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O segundo “Universo” é do desconhecido, e que nutre o conjunto do que é conhecido quando se passa a conhecer algo originalmente desconhecido, e este algo é mudado de conjunto. Obviamente não teremos nunca a dimensão exata do que está contido neste conjunto com elementos desconhecidos – pois não conseguiremos dimensionar o que ainda não esteja no campo do conhecimento humano e, portanto, na existência. Por mais que se conheça, dia a dia, não saberemos se o desconhecido terá um limite que se extinguirá pelo conhecimento adquirido. No máximo, teoriza-se sobre o desconhecido. E, certamente, teoriza-se muito mal acerca disto.

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A questão é que o que se conhece é apenas algo que seja pensado ou tido como existente. Uma qualidade, assim, universal pode estar ainda no conjunto do desconhecido e, um dia, passar a compor o conjunto do que seja conhecido? Eis a questão. Se há algo que é pensado, é um estado de “realidade”, pois pode ser possível conhecer algo a priori mesmo sem que ocorra uma experiência direta sobre este algo, mas também pelas analogias que podem ser feitas, a partir da experiência prévia que possui o sujeito, e que deve ser sempre considerada, segundo Kant.

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Mas, ainda assim, este pensamento não teria, necessariamente, a “atualidade” kantiana por não haver a experiência direta. Esta atualidade parece mesmo algo temporal, necessariamente, pois a atualidade é a existência real apreendida em um certo tempo, pela experiência, pelos sentidos, pela interação, e em síntese, de algo que deve estar a ocorrer no devir e, por isso, o pensamento fica livre para divagar entre passado e futuro, a formar sua realidade em algo que não necessariamente esteja a existir materialmente na atualidade, mas que é suposto conhecer, pelas analogias que se é capaz de fazer a partir de algo que já se conhece, pois já foi apreendido em algum momento.

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Pode ser assim, ou não. Kant é complexo, pode ser preciso ou controverso, por vezes, ou confuso, e muitos o percebem de diferentes formas, mas nesta questão ele é coerente, dado também que há aqui neste texto uma extrapolação para além de um burocrático conhecimento de um simples objeto, mas sim de complexas circunstâncias quando estão todas interconectadas.

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E há também a capacidade criativa humana, que nem colocaremos em causa, para evitar mais distrações. Então fica evidente que o Universo formado pelo que se conhece como o único que pode ser conceituado, assertivamente – pois é o único de facto real e/ou atual. Potencialmente, há o que não se conhece, que não é nem real e nem atual, e há também o que se pode criar, que atinge uma condição real sem ser, necessariamente, atual – e sobre isso não temos a menor ideia do que poderá vir daí.”  (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XIII)

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