glossário do esquema conceitual do possível serdual - crise existencial

Crise Existencial

A crise existencial é um processo complexo decorrente dos embates dos juízos críticos com os morais, a partir de certos acontecimentos (ou até mesmo com os não-acontecimentos).

“Nada mais faz o mesmo sentido, se é que alguma vez tenha feito. Assim, assumimos que nunca fizemos o que realmente queríamos fazer, mas sim o que esperavam de nós, e nos percebemos como diferentes do que somos, do que sempre fomos. Mas parece que o tempo não corre, parece que o estranhamento está a ocorrer como se tudo estivesse a acontecer no momento da vitória. Coisas de dez, vinte anos atrás, parecem que estão a ocorrer naquele exato momento que estranhamos e hesitamos. O estranhamento tardio não perde sua característica de implodir a perceção do tempo, e o passado se junta ao presente.

Alguns chamam de crise existencial, como se fosse um evento único e isolado a ocorrer uma, ou algumas poucas vezes, ao longo da vida. Ocorrem, provavelmente, diariamente e tanto mais quando a consciência é mais dotada de qualificações intelectuais preditivas mais desenvolvidas. Pois mentes assim passam a fazer mais uso de seus juízos críticos sobre a realidade que se apresenta a ela, por assim dizer. A questão é saber quando se está a ignorar os estranhamentos e os riscos envolvidos.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. II)

“Mas isto tudo passa para o indivíduo – seus deuses se desintegram e perdem o sentido de existirem, em algum momento de suas vidas, como se o tempo diluísse anestesicamente as angústias que ficam abafadas até que se voltem a se manifestar, e a vida parece que passa a correr dentro de uma normalidade para sujeito que prossegue sem nada que denuncie ou exija assumir sua condição de vulnerabilidade evidente frente às forças estruturais. Mas até que surjam outras fissuras, que inevitavelmente surgirão, mesmo que tardiamente, entre o que a sua imaginação passa a emitir como ideal de vida, ou necessidades intrínsecas para sua existência, e a própria realidade implacável e camuflada pela estrutura.

Esta realidade, uma completa desconhecida, em algum momento é vislumbrada pelo distraído sujeito, através de uma falha na estrutura e se mostra, então, tal como ela é, verdadeiramente, sem as distorções, cores, brilhos e contrastes que foram construídas para lhe esconder, tal como um cenário que funciona para entreter, representar e iludir.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. V)

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