glossário do esquema conceitual do possível serdual - determinismo

Determinismo

Há um ensaio escrito sobre o a ação humana, em relação ao determinismo, livre arbítrio e compatibilismo, especificamente. Clique aqui para saber mais.

Quem defende o determinismo defende que a suposta escolha da pessoa é ilusória, pois considera que não haja opções verdadeiras ou realmente acessíveis para o decisor e invariavelmente este sempre escolherá o que já foi determinado por outros fatores não meramente racionais, antecipadamente, de forma declarada ou não, e que acarretará em uma previsibilidade total para todas as suas ações. Assim, algumas das causas apontadas para os defensores deste determinismo poderiam ser as biológicas, orgânicas, sociais, circunstanciais, educacionais, cívicas, etc. Veremos ainda que isto terá correlação com os valores morais utilizados para selecionar as melhores opções.

no Brasil…

O filósofo brasileiro Clóvis de Barros Filho (1966,-) define bem o que é o determinismo a nível biológico e comportamental, ao dizer que o sapo “sapeia”, o gato “gateia” e o cachorro “cachorreia”, visto que a racionalidade existe nos animais, mas não suficiente para ultrapassar a cadeia de acontecimentos que dão a eles comportamentos extremamente previsíveis, num nível de condicionamento que nos faz perceber este determinismo a tais níveis mesmo com racionalidade presente capaz de se fazer livre e autossuficiente. Talvez, assim, o humano seja igual, mas a um nível mais sutil, ou menos percetível. É mais uma hipótese, afinal.

Há também o determinismo divino do filósofo holandês Baruch Espinoza (1632-1677), a partir de sua brilhante conceituação de causa imanente, em que a causa está no efeito, e o efeito está na causa, a contrariar as teorias causais de Aristóteles, que coloca uma causa final, transcendental, como responsável última dos acontecimentos.

Assim, Espinoza constrói uma teoria racionalmente consistente acerca da imanência, em detrimento da transcendência do Uno[1] neoplatônico e da transcendência do Demiurgo[2] platônico, ao defender que o homem está em tudo, e este tudo está em deus, que tanto afeta quanto é afetado. E, dentro deste contexto, não haveria para o homem a liberdade, mas sim um estar dentro de algo maior do que ele, mas não superior, e sim integrador de tudo.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. V)


Notas

[1] «Plotino ensinou que existe um ser supremo, totalmente transcendente o “Uno”; além de todas as categorias do Ser e Não-ser. Seu Uno “não pode ser qualquer coisa existente”, nem é simplesmente a soma de todas as coisas [comparado a doutrina dos estoicos da descrença na não-existência material], mas “é antes de tudo existente”.

Plotino identificou o Uno com o conceito de ‘Bom’ e o princípio da “Beleza”. O Uno engloba o pensador e o objeto. Até mesmo a inteligência autocontemplante (a noesis do nous) deve conter dualidade. “Depois de ter chegado no ‘Bem’, não adicione nenhum pensamento a mais: em qualquer adição, e em proporção daquela adição, você adiciona uma deficiência.“. Plotino nega a senciência, consciência de si-ou qualquer outra ação (ergon) para o Uno». Poderá saber mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Plotino#O_Uno, de onde foi retirado este trecho, em 17/09/2022. Há também uma conceituação mais formal a partir da página 368 de: Reale, Giovanni. História da Filosofia. Volume l. São Paulo: Paulus. 2003.

[2] «O uso filosófico e o substantivo próprio derivam do diálogo Timeu escrito por Platão em 360 a.C., a causa do universo, de acordo com a exigência de que tudo que sofre transformação ou geração (genesis) sofre-a em virtude de uma causa. Diferente do deus cristão, o demiurgo não cria ex-nihilo, mas a partir de um estado preexistente de caos, tentando fazer seu produto assemelhar-se ao modelo eterno das Formas, assim a atividade do demiurgo compreende observar as Formas, desejar que tudo seja o melhor ou mais similar possível ao modelo eterno e perfeito.». Poderá saber mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Demiurgo, de onde foi retirado este trecho, em 17/09/2022. Há também uma conceituação mais formal a partir da página 137 de: Reale, 2003, ibidem.

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