glossário do esquema conceitual do possível serdual

Esquema Conceitual do Possível

É um modelo para que o possível possa ser compreensível didaticamente, e este é apresentado como um conjunto de camadas formado por esferas concêntricas, de diferentes tamanhos, na qual a menor é a mais densa ou imanente e a maior é a mais sutil ou transcendente. Gradações, como camadas distintas entre si, mas que na prática se fundem como uma – tal como percebemos o mundo. Para além destas esferas, há a representação de uma última – mas que não é mesmo uma esfera, pois não possuímos contato com ela – pois “é” o impossível, que permeia a todo possível e “vai” para muito além dele, e para muito além do nossa Esquema Conceitual do Possível.

Das “menores” para as “maiores”, as três esferas imanentes – materiais e linguisticamente sensíveis e escrituráveis no Esquema Conceitual do Possível:

1ª esfera – a moral – são os valores definidos e duais mais profundos e fechados que temos em nós (como por exemplo o bem e o mal, o certo e o errado, o belo e o feio etc), apreendidos e construídos a partir dos relacionamentos, da linguagem, da educação formal e informal e também em todas as convenções que existem na estrutura na qual o indivíduo esteja inserido, como as culturais, religiosas, políticas, sociais, artísticas, de construções de gêneros, “raciais”, territoriais, etc;

2ª esfera – os representantes / relacionamentos – todas as relações são basicamente oriundas das funções estratégicas de perpetuação e afirmação da vida – assim garantimos a nossa presença, que é estarmos vivos. Relacionamo-nos para mantermo-nos (a todos) bem (que já é uma ação oriunda de um valor moral que trazemos da primeira esfera), mas também para nos afirmarmos como existentes (indivíduos, psicologicamente diferenciados e supostamente autônomos). Relações são, portanto, sempre baseadas em alguma instância de poder. Uma das partes acaba por dominar a outra, e por isso, uma destas partes passa a representar algum tipo de autoridade baseada em algumas regras adotadas nos relacionamento (que estarão na próxima esfera), mesmo que sejam regras simples, informalmente subentendidas ou mesmo impercetíveis, mas sempre existem regras em todos os relacionamentos;

E…

3ª esfera – as regras – que não existem apenas por existir, pois não vieram do “nada”, mas sim pela preexistência e necessidade das relações, ao originarem conflitos e a exigirem meios para se estabelecer uma ordem viável entre todos os que compartilham relacionalmente do possível, e isto significa que foi e é necessário coibir as vulnerabilidades individuais e coletivas oriundas dos relacionamentos, principalmente a partir das diferenças percebidas entre os indivíduos, que fazem ser necessárias novas criações conceituais como, por exemplo, a justiça;

Abaixo, a esfera transitória – entre a imanência e a transcendência no Esquema Conceitual do Possível

4ª esfera – os modos existenciais – há o modo de ser, que representa a presença em vida e uma suposta essência moral de cada um, que são a expressão consolidada na pessoalidade de seus próprios valores e que assim oferece uma perspetiva própria dos limites sensíveis individuais; e há o modo de existir, que representa o que este projeta para o mundo, que é a sua própria existência percebida para si e para a estrutura na qual esteja inserido, ou melhor, alocado interactivamente; Entre estes modos, há sempre alguma separação que origina uma brecha ou fissura nas quais se dá o que é percebido como o abismo.

E, finalmente, as três esferas “maiores” transcendentes e puramente semânticas, completamente inseridas na linguagem com significações valoradas no Esquema Conceitual do Possível:

5ª esfera – o marketing ideológico – que são as oportunidades expostas como possibilidades. Assim promovidas e oferecidas pelas teias de relações que existem no mundo, e de acordo com as ideologias mais dominantes que existem. O marketing é o que faz a todos ficarem mais aderentes à estrutura, pois é o que promete, que cria demandas e que faz a todos cumprirem com as regras e com o que seja esperado ser feito como parte do esforço de atingirem o que está para além de si. O marketing é o excitador existencial mais poderoso que existe, que faz aumentar a potência de cada um para que surja a ilusão de que tudo possa ser realizado para que todos possam, afinal, estarem em ato através de algo que é oferecido como meio e fim, mas sem nunca ninguém chegar a um limite de saciedade através do marketing, visto que este é sempre de natureza continuamente expansiva e predatória;

6ª esfera – a ideologia – uma dimensão individual e coletiva quase impercetível e que possui mecanismos para que seja mesmo assim: impercetível. A ideologia representa tudo o que já foi intencionalmente vislumbrado, conhecido, percebido e nomeado – mesmo que exista apenas conceitualmente, é ideologizado da mesma forma e pertence a esta dimensão. Como cada um é limitado pela sua própria perspetiva individual, então a ideologia passa a representar o tamanho do “universo” de cada um possui para si, a diferirem elas mesmas as individualidades, logo à partida;

E também…

7ª “esfera” – o real – o impossível, que é todo o resto, para além da ideologia. Por não ser e nem poder ser conhecido, não pode ser limitado e, a bem da verdade, nem mesmo podemos considerá-lo como uma esfera, propriamente. É o caos, completamente inacessível e impenetrável, mas que mesmo assim é a direção para a qual nos dirigimos alucinadamente, para expandir a nossa dimensão do possível e também para apreender algo que não compreendemos ainda, mas que mesmo assim desejamos expandir e domar, até mesmo contra a nossa própria razão. Este caos pode facilmente nos atingir de forma impactante pelas fissuras ideológicas que temos em nossas frágeis criações ideológicas. É contra o caos a nossa maior demanda existencial.

Esquema Conceitual do Possível

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