glossário do esquema conceitual do possível serdual - extremista

Extremista

“Para outros, viver de forma totalmente determinada seria um sonho perfeito, muito desejado, por exemplo, para os neonazistas saudosos dos tempos que nunca viveram, ou também dos que querem abrir mão da democracia ao clamarem por ditaduras, pois são estes que consideram o passado como se fosse a paz absoluta no paraíso dos supremacistas. Sim, o que estes saudosos pelo que nunca viveram buscam é mesmo isso, e é também o que todos buscamos: possibilidades. Mas, ainda assim, de formas diferentes, e bastantes distintas, por sinal. Assim se faz e é um extremista, via de regra.

Os nazistas não quiseram, assim também como os neonazistas não querem também, obviamente, apenas ascender na estrutura, mas sim quiseram rebaixar, ou extinguir os que consideraram (ou consideram) não estar de acordo com seus níveis distorcidos de valor, e que por isso acreditavam que deveriam ser expurgados da estrutura, ou da vida. E foi isso que fizeram num dos mais tristes e reprováveis eventos históricos que podemos considerar. E que não foi o único assim, pois tiveram outros, nos inúmeros genocídios que a História da suposta humanidade registou.

Deliberam assim também os xenófobos, racistas, misóginos, homofóbicos, os fundamentalistas religiosos, os desportivos torcedores radicais e tantos outros grupos interessantes e atraentes para os muitos que desejam mais da vida e desejam atingir o topo sem, contudo, conseguirem ou precisarem dar mais de si, ou mesmo por perceberem que lá, bem lá no fundo, não poderiam competir em pé de igualdade com os que desejam eliminar, se estivessem em iguais condições de competitividade, pois se percebem menos capazes do que os que odeiam justamente por esta razão. E isto passa a ser amplificado mentalmente pelas suas próprias frustrações e geram pulsões por ações destrutivas que são direcionadas aos “oponentes” que elegeram como alvo de suas próprias agruras. Querem, como todos, as possibilidades mais próximas de si, mas não ao ponto de serem oportunidades – e quase tudo se resumirá a elas, afinal. Todo extremista é isso: algo que não consegue se realizar.

Entender estes grupos é perceber que querem o topo sem o ônus do esforço, mas sim por rebaixarem a todos os demais, ou extinguirem as ameaças competitivas. São covardes e com um imenso complexo coletivo de inferioridade. O que seria de Adolph Hitler (1889 – 1945) sem o sentimento de inferioridade germânico depois do fiasco da Primeira Guerra? O que seria o sentimento de todos os movimentos políticos extremistas sem tal perceção de inferioridade? É uma questão, sempre, de perspetiva social de grupos atraídos (e traídos) pelos seus piores medos. O covarde é sempre um medroso extremado ao ponto de defender a posse de armas, as penas capitais e todo o tipo de agressão e segregação que poderá emergir de suas crenças.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. V)

“Todas as obsessões dentro de uma perspetiva do bem serão necessariamente tidas como boas, em suas naturezas funcionais ou utilitaristas. É justamente como tudo sempre se dá em cada uma das perspetivas, ao encerrarem em si apenas o que seja o bem. Se até mesmo o diabo cita as escrituras quando lhe é conveniente, o devoto do espírito universalizador também apela para a perspetiva quando percebe lhe mais ser conveniente – e instantaneamente abandona a defesa da predicação universal que antes cultuava, por não lhe ser mais conveniente em sua perspetiva. Na verdade, continua na mesma situação, na mesma perspetiva, mas assume visões diferentes sobre uma mesma coisa, a focar mais em si ao invés de focar mais no espírito.

Por tais motivos as obsessões coletivas históricas mais temidas ou combatidas, como as nazistas, fascistas, extremistas, fundamentalistas ou as facções terroristas, por exemplo, ou outras do gênero scary, agregaram nelas pessoas que dizem que apenas projetam o “bem” (que é o “mal”, para nós, que estamos de fora) como possibilidades para elas. Pois o “mal” só é visto a partir de uma perspetiva externa e também por todos os que sejam os seus alvos, por representarem ameaças travestidas como impossibilidades ao bem que elas julgam possuir.

As convictas mentes que se consideram agentes do bem mal percebem o que estão a atacar, pois atacam mais o que representa a coletividade do que a individualidade – é mesmo um processo irracional e messiânico. Pois elas pensam que destruir indistintamente tudo o que seja contrário às suas ideias seja o mesmo que fazer o bem: e por isto podem atacar o mundo, as organizações, religiões, as Ciências, as nações ou até mesmo as pessoas que considerarem como representantes do mal. Ações doentiamente pervertidas e subvertidas, mas tais predicados só são dados por quem observa externamente à perspetiva doentia, pois para quem está dentro dela, nada disso se dá, pois cada um dos membros comprometidos em combater o mal se percebe como investido do poder ilimitado do bem, e nada o poderá parar até que realize o que julga ser o se que espera dele.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XIV)

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