glossário do esquema conceitual do possível serdual - hesitação

Hesitação

A hesitação surge com o acontencimento do estranhamento e é manifestada pela paralisação do agir, anomalamente ao esperado.

“A hesitação é um estado de inferno pessoal, de insatisfação e perplexidade, tudo junto e misturado e que pode levar facilmente ao pânico. É essa hesitação que iremos dissecar, conceitualmente, a partir daqui, visto que não é assim tão raro ela aparecer. Antes de se aceitar (ou não) a nova condição dada pela vitória conquistada, pois seguir adiante significa também aceder a um novo lugar na estrutura da vida, geralmente um lugar mais elevado, mais pretensiosamente ao topo.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. II)

“A hesitação é, portanto, o resultado de uma resistência de si mesmo, ou uma manifestação inconsciente de uma cilada em andamento. Mas, geralmente, também é uma dor, pois impede a suposta alegria da realização de uma vitória obtida. E toda dor possui uma função denunciadora de algo que não está bem. Algo que precisa ser tratado, por vezes oculto ou bem nas profundezas de algum sistema, ainda que funcional, mas que começa a desintegrar-se.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. IV)

… hesitação

“A hesitação, assim, também pode ser uma fuga das escolhas difíceis que se apresentam, ou pelos desgastes que estas representam. Das deliberações que podem ser tomadas para além de aceitar o que há para si, estabelecido pela vitória conquistada. O prosseguir adiante pode ser, também, um hábito, mas que poderá deixar, igualmente, na mente daquele que sempre prossegue uma grande dúvida acerca das oportunidades diversas que poderão não estarem a ser consideradas. E esta pode ser a razão para que, no futuro, a hesitação ocorra mesmo depois da vitória, em um momento qualquer.

Há que se ponderar também em casos assim. A seita da autoajuda descobriu o mal dos procrastinadores, e já condenou também a hesitação aos que adiam suas decisões para algo incompreensível, como pensar melhor sobre o que se está a fazer. É preciso ser veloz, sem hesitar, sem pensar, sem nada que faça parar para se perceber o real.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. VII)

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