glossário do esquema conceitual do possível serdual - honra

Honra

Sobre a honra: “O sujeito ideologizado de forma extremista se torna completamente desconectado da realidade comum a todos, ao bom senso e à própria razão, e vive apenas no mundo da ideologia à qual se extremou. Para ele, o universo é a própria ideologia abraçada como verdade última e absoluta. Nada mais há para além disso.

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É algo tão profundo e radical que é incapaz de “perdoar-se” a si mesmo caso faça alguma ação contrária ao “bem” profundo de sua ideologia. Por isso, muitos radicais viram-se contra o “nosso mundo” e podem facilmente nos eleger como inimigos. Este ser radical precisa agir assim, pois logo julga que terá ferido sua honra por qualquer coisa que faça de “errado”, por não defender a sua ideologia. Os outros, para eles, são alienígenas, estranhos, e possivelmente ameaças que precisam ser combatidas. Assim, sentem-se na obrigação de defenderem sua ideologia. E não é assim com os nacionalismos, com as organizações cívicas ultrarradicais?

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O que se chama de honra, na verdade, é a afirmação da própria moral a partir da ideologia. E isto se dá pela cristalização mais profunda dos valores ideológicos que considera ser sua própria identidade. Caso atue contra tais valores, deduz que vai contra si mesmo, e contra o seu “mundo”. E daí ocorre nele a vergonha, que é a diferença negativíssima percebida com imenso impacto e a consequente rutura de sua sustentação existencial: desaba. Daí, a pessoa “transgressora” faz um autojulgamento, se autocondena como culpada e se sentencia a alguma pena, e se pune.

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E por isso comete sacrifícios, automutilações, privações das mais diversas formas ou até mesmo apela ao suicídio, como privação maior da própria vida. Não por acaso, não é raro em seitas existirem os suicídios individuais ou coletivos – algo mais previsível nas mais extremistas. Também não é por acaso que as seitas se refugiam, quase sempre, em comunidades distantes e isoladas e com o mínimo contato com as cidades. Vivem cercadas e protegidas do “mal” exterior.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XVI)

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