glossário do esquema conceitual do possível serdual - imanência

Imanência

“(Ver também: transcendência) …O indivíduo é sempre, a priori, conceitualmente considerado imanente. E esta imanência tem correlação direta com a atribuição da autonomia e da autossuficiência dada a cada indivíduo, como se este fosse mesmo algo estanque e com total independência em relação a tudo, em termos deliberativos, plenamente dotado de um livre arbítrio incondicional. Mas, desta forma, com o indivíduo a ser um núcleo impermeável, autossuficiente e imanente, não será difícil perceber que tudo o mais que esteja para além dele será, para ele, por extrapolação conceitual, não mais imanente, mas sim transcendente, pois a imanência se limitará à própria condição de individualidade.

A imanência, na perspetiva individual, para o que esteja “para fora” dele, do indivíduo, passa a ser relativa ou a uma tangibilidade ou a uma mera conceituação vulgar, sempre ocorrida em sua perspetiva e nunca absoluta. Ou melhor, o indivíduo passa a perceber a imanência das coisas de acordo com sua própria “perspetiva” (o que sou eu, o que é meu, e o que não é, e o que nem sou…).

Se um indivíduo possui uma casa, esta é algo imanente, obviamente, mas não é o indivíduo, pois este é independente da casa. O que há, no indivíduo, desta casa, são os conteúdos mentais que esta possui, junto a si, apreendidos consigo. O que é material não está no indivíduo. Portanto, tudo o que há para fora do indivíduo, seja pela falta de conteúdos mentais, pela incompletude dos conteúdos, ou pela incompreensão ou desconhecimento de tudo o que não consegue conhecer, do que pode haver, são transcendentes, ao menos como estaremos a conceituar, doravante.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. VIII)

Conteúdo Protegido.

Deixe um comentário

X