glossário do esquema conceitual do possível serdual - individualidade

Individualidade

“Mas se a busca do todo é mais imprecisa, então agrupar elementos que formem um conjunto de pontos em comuns, ainda que não sejam um todo, será uma espécie de protocolo que todos passam a considerar, e isto sim poderá resultar em algo mais frutífero. Se somos todos humanos, quantitativamente já em mais de oito bilhões, qualitativamente somos únicos, e cada um de nós diferimos de todos os demais. Há a individualidade.

Não somos um Universo individual, mas um conjunto de perspetivas a nos buscar conectar entre todas elas, a nos dividir entre o que for mais conveniente. Não somos uma unidade, mas sim uma pluralidade convencida de ser uma unidade, e em luta de ser o que nunca poderemos ser, de facto. Ainda ignorantes, todavia, mesmo com todos estes pretensiosos conhecimentos, nos falta a visão do real, da capacidade de suportar o caos que nos impera internamente.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. X)

Pois a moral possui os conteúdos mais profundos e simples: rústicos, ou selvagens, propriamente. Aqueles predicativos que já não são muito movimentados, nem questionados, pois se tornam os mais estáticos e centrais do que todos os outros. Na verdade, se forem movimentados até podem se “desintegrarem”, e causarem problema ao que o indivíduo entende de si mesmo, pois são os “filtros” primários que os levam a agir. São os conteúdos morais que sustentam a perceção de existência e de identidade da individualidade, que estabelecem os parâmetros da diferença, da falta, pois isto ocorre mesmo assim: o “melhor”, ou o “positivo”, precisa sempre estar comigo, e o “pior”, ou o “negativo”, com os outros.

Basicamente, este é o primeiro fator de relevância moral aos que apreendem, desde tenra idade, o que é ser a si mesmo. Tão natural quanto isso: a fome é comparada a um estado em que se estava saciado – há falta e, portanto, se está pior. E se aprende a chorar. Um exemplo reduzidíssimo, mas que logo desenvolveremos mais. A dor, a sede, etc… tudo é falta, assim como a pobreza, a feiura, etc. Vale tanto para a comparação em relação a si, quanto para os outros.(em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XVI)

Individualidade: Conteúdo Protegido.

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