glossário do esquema conceitual do possível serdual - influencers

Influencers

“Mas isto não se restringe meramente a coisas que se está a admirar e a desejar. E o observador desejante passa a desejar ser e ter como todos os que ele considera que estejam mais em ato do que ele próprio, e por isso há sempre a falta percebida na perspetiva do observador, que se sente dotado de uma potência não exercida. E isso o leva a agir a buscar sua própria existência sempre como o máximo dos máximos. Como nos exemplos já citados, é o mesmo quando acontece a ambição dos simples mortais pelos influencers, que sempre passam a serem “seguidos” à exaustão pelos que enxergam possibilidades neles, ainda que ilusórias ou apenas produzidas artificialmente.

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Mas não são estes influencers que movem diretamente os que estão a lhes seguir nas redes sociais, pois estes influencers “fazem” indiretamente os seguidores se moverem em sua direção, sem mandarem ou obrigarem ninguém diretamente, e causam este movimento para que todos os sigam apenas por serem o que são – indivíduos supostos serem perfeitos e completamente acabados e, em puro ato, e por isso dotados de todas as possibilidades realizadas em si próprios, a causarem a “inveja” dos desprovidos que percebem as gigantescas diferenças entre o que são e o que poderão vir a ser. São os influencers os novos deuses, disponíveis em todas as redes sociais tal como o motor imóvel aristotélico na esfera superior do éter inalcançável dos céus do Monte Olimpo.

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E isto é a mesma coisa que leva os mortais humanos a se moverem em torno dos demais modelos de perfeição que alguns poucos humanos conseguiram atingir, fruto dos progressos evolucionistas de milênios e de todas as resultantes sociais que emergiram para que fossem assim considerados. Há miríades deles em todos os cantos, ou melhor, em todas as redes sociais.

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Temos os motores imóveis humanos contemporâneos em todos os lados, mas bem mais provavelmente em cima dos palcos – que da mesma forma nada fazem para além de existirem, como em puro ato, a excederem-se a si mesmos, plenos de si. Mas que indiretamente provocam tudo a se mover em busca do que mostram ser. E estes modelos de perfeição não são apenas os Influencers, mas também os coaches, os heróis, os artistas, jogadores de futebol, participantes do BBB, os VIPs, os gurus e inúmeras outras formas de vida perfeitas em que o mediano humano se espelha e se movimenta para atingir tal estado de magnitude, a comprar o que estes vendam, a consumir o que estes usem, ou dizem usar. Ou basta que apenas digam ser necessário ter no armário do banheiro para que o simples mortal que é o seu seguidor passe também a ter e a viajar por onde eles viajam, a comer por onde comem e a repetir tudo o que fazem, seja pagando à vista ou a prazo.

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Movem-se, mas não são movidos. A questão ainda continua a ser acerca da autonomia da ação. Outra questão, a ser abordada oportunamente, será sobre os conceitos de mobilidade e imobilidade, sobre a apreensão da fluidez do tempo ou apenas do mesmo instante. Algo mais avançado, que logo trataremos de lá chegar. Mas, vamos prosseguir.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. VIII)

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