glossário do esquema conceitual do possível serdual - o possível

O Possível

O possível é tudo o que você conhece somado a tudo o que poderá conhecer, ser e estar, mas que ainda não lhe será suficiente. O possível é a zona da consciência realizada mas profundamente pretensiosa.

O possível não é universal, mas meramente individual, pois é uma perspetiva – e nada mais do que isso. Se há um universo, este é o possível, e limitado a cada perspetiva que se faça, redundantemente, possível.

O possível não antagoniza com o impossível, pois este permeia por todo o possível, e este é apenas a parte conhecida do impossível, e por isso sentimos todos as impossibilidades bem próximas, a nos envolver.

O possível é a ínfima parte do caos que pudemos ordenar com imensos esforços, a superar de alguma forma o impossível e a nos dar uma falsa impressão de o termos dominado ou decifrado, que é a nossa verdadeira intenção, desde sempre, pois assim percebemos ter atingido o que consideramos ser o bem.

O possível é, portanto, a nossa organização existencial: é tudo o que apreendemos, que conhecemos, que nomeamos, que compartilhamos entre nós pela linguagem, que definimos e damos valores a partir dos acontecimentos ocorridos.

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Como o possível não está separado do impossível, e sim completamente inserido neste, mesmo dentre tantas operações que realizamos de construção e manutenção do possível, algumas vezes surgem fissuras ou brechas que nos coloca em contato com o impossível, e é quando nos surgem os estranhamentos da vida que logo nos levam aos questionamentos dos “problemas” existenciais.

O impossível é a realidade do real, aquela que nos angustia, nos afugenta e nos amedronta. Criamos o possível para evitar o impossível. E, no possível, criamos tantas coisas que nos fazem distrair e nos deixam anestesiados do que realmente somos. Pois todo este processo criativo coletivo e hereditário muitas das vezes falha, e nos surgem as tais brechas ou fissuras que nos expõem ao caos do impossível. E quando isto o que ocorre percebemos os nossos abismos existenciais entre tais dimensões – quando surgem as nossas crises e as nossas maiores vulnerabilidades existenciais.

Não somos capazes de lidarmos com o impossível, mas podemos chegar bem mais perto de nos libertarmos de seus efeitos nocivos sobre nós. Ao compreendermo-nos a nós mesmos, e principalmente ao descobrirmos a nossa posição existencial – o ponto de partida desta autodescoberta.

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Simples assim, mas nada disso é fácil de percebermos imediatamente à primeira impressão. E esta pode ser a sua dificuldade agora, ao achar tudo confuso ou até sentir medo de adentrar a esta área do conhecimento de si mesmo. E é coerente, pois construir tudo isso foi para não termos de lidar com o caos que agora precisamos lidar. Mas, toda criança cresce, e certos assuntos que antes lhe eram escondidos se tornam necessários de serem experienciados. Somos todos crianças que estamos a crescer e é chegado o nosso momento de tratarmos de assuntos realmente sérios. Este é o nosso tempo, de uma minoria em crise que precisa a aprender a lidar com a verdade das questões da maturidade. Você não está aqui por acaso, afinal.

Por isso, para que possamos perceber didaticamente como tudo isto funciona, adotamos aqui um esquema conceitual que criamos e que explica em detalhes este possível. É um esquema que serve tanto para um indivíduo – para você, como para as estruturas às quais você pertence. Pois, a bem da verdade que logo descobrirá em nossos argumentos, não somos mesmo indivíduos autônomos, mas sim parte de uma estrutura – somos causa e efeito, simultaneamente, e desde sempre.

Isto é o possível – aquilo que é por não ser. E assim começaremos nossos estudos.

Leia, na íntegra, em: O Esquema Conceitual do Possível

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