glossário do esquema conceitual do possível serdual - obsceno

Obsceno

É o visceral, uma dimensão bem mais forte e superior ao obsceno. Enquanto o obsceno se manifesta na estrutura, e se dá não pela falta, mas sim pelo excesso de pudor existente, o visceral se manifesta nas proximidades do abismo, quando se passa a percebê-lo nos limites entre o possível e o caos, e assim ele é sentido pelas próprias vísceras, que se remexem a se comunicarem com a dimensão abissal.

No abismo, não há nem linguagem e, portanto, nem idiomas ou sequer expressões e palavras, apenas existem sentimentos viscerais onde a pura consciência passa a perceber o vazio completo sem nenhum poder para além da própria busca intencional, sem que haja nenhum feedback para si. É a mente que fala ou urra ao cair nas profundezas abissais, e nada mais há para além disso. Mas, “apenas” isto é muito mais do que a consciência consegue perceber ou conceber. O obsceno, todavia, contrariamente é impavidamente suportável. (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. VI)

“…percebermos que o obsceno é mesmo o excesso de pudor, e não a falta dele. O obsceno é um verdadeiro anticlímax, muito antes de ser estimulante, ele é frustrante. Pelo tanto de pudor que pode existir em algo – e isto é seguir o que está estabelecido convencionalmente pelo esquema estrutural do possível. Daquele mesmo que consegue aprisionar o jogador apenas pela necessidade de este estar sempre a jogar, e que passa a ceder a tudo o que lhe é exigido. Em especial pelo marketing e pelas regras, percebemos que o excesso do pudor leva sempre ao obsceno, pois intensifica os contrastes que facilitam a perceção das brechas, das fissuras, que sempre estão a nos ofuscar, tanto mais quanto mais selvagens somos, capazes de percebermos melhor a obscenidade em tudo o que há.”  (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XXIV)

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