glossário do esquema conceitual do possível serdual - regras

Regras

“As regras viraram produtos, como tudo o que há. Pois tudo o que existe, ou não, acabará por virar também produto comercializável. Talvez elas sejam até mesmo os primeiros de todos os produtos. Visto que não precisam mais do que as palavras para as produzirem, com alguns poucos escritos. E que dão a materialidade necessária para alguém vender um conceito a alguém que compre este mesmo conceito. A linguagem é ela mesma uma forma de escambo, se assim vista, e isto será mais bem explorado nos estudos da linguística.

A estrutura, que surgiu como uma vantagem competitiva de sobrevivência, pelo agrupamento dos sujeitos em famílias, tribos e comunidades, para que as individualidades fossem mais resistentes às intempéries da vida, às ameaças, desde sempre se fundamentou na transcendência das suas possibilidades de perpetuação e ultrapassagem das limitações. Precisou de regras, inexoravelmente, que possibilitaram levá-la das “más” ameaças às “boas” possibilidades.

E, dentro de qualquer coletividade, sempre há quem seja mais perspicaz ou sensível e, oportunamente, surgiu o primeiro médium do espírito considerado superior, seja pelo interesse pessoal de ser percebido como diferenciado socialmente ou por que a própria estrutura definiu uma posição e alguém a ocupou, ou por ambas as coisas. E este médium passou a “traduzir” as vontades e necessidades do espírito obsessor coletivo em formas de regras para que todos fizessem o que ele esperava e, assim, ele retribuiria a deixar a todos (supostamente) mais protegidos, e mais próximos das possibilidades.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XII)

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