glossário do esquema conceitual do possível serdual - representantes

Representantes

E a maioria destes ditos representantes logo afirma que estas mensagens precisam ser difundidas, obviamente, mas apenas através deles – mensageiros ou representantes – que sempre acabam por se posicionarem humanamente, e não divinamente, pelas suas fantasias ou vaidades ou interesses materiais, até mesmo a buscarem atingir um status mais importante do que as próprias mensagens do espírito, com títulos, hierarquias e indumentárias que os tornam centrais ao ponto de até virarem pops, pois passam a serem considerados autoridades igualmente sagradas por seus próprios decretos de serem os únicos representantes legais do divino.

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E assim, finalmente, o humano se faz sagrado, não pelas suas qualidades reais, mas pelas crenças alheias artificialmente semeadas e cultivadas. Tudo muito previsível e humano, afinal. Eles dizem não serem cegos, pois possuem a capacidade divina da visão quase onisciente. Imputam medo nos devotos, ao adverti-los que falsos representantes são cegos a guiarem cegos, ainda com um capacitismo suposto ter sido ditado ou inspirado por deus e atualmente combatido, mas bem representativo da intenção de atração da máxima e exclusiva atuação dos representantes pelo domínio dos devotos pelos gatilhos do medo e da culpa.

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Além dos sentimentos ameaçadores “negativos”, há com eles as possibilidades dos “positivos”, que afirmam que ao pedir seja lá o que for, se obterá este seja lá o que for. Mas os petitórios são válidos se feitos exclusivamente por meio deles próprios – os representantes, como gestores logísticos dos pedidos e do que pode ou não pode ser obtido.

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Para o que não se consegue, foi por determinação divina para ser assim, e restará apenas a resignação momentânea, pois “lá na frente” (na hora certa) receberá a compensação pretendida e até mais do que isso – promessas; mas, se há uma entrega rápida de algo impossível de ocorrer, há aí uma etapa cumprida pelo representante para sua beatificação ou santificação, um degrau formalmente instituído e bem acima dos meros mortais. Tudo é um jogo, afinal, até mesmo para os representantes, a galgarem posições na gamificação religiosa, ainda que com raras exceções, tudo se dá desta forma.

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As regras supostamente se originam deste espírito superior, mas são aplicadas exclusivamente pela interpretação linguística humana, feita por um outro humano que se assume como legislador, ajuizador e executor. Mas, o próprio espírito superior e perfeito, que deveria estar hierarquicamente posto acima das regras, poderá até mesmo ser traído pelas más interpretações e formalizações que os sujeitos subalternos poderão cometer, bem ou mal-intencionados, mas muito provavelmente pelos equívocos que representam as más formas de ordenação imposta para atenderem a certos interesses particulares, por exemplo.

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As regras até podem ser desvirtuadas, mas nunca derrotarão completamente o espírito, visto que é este que sempre deterá consigo todas as possibilidades e que acabará por se transformar sempre em algo atual, a evoluir juntamente com os seus devotos, a atualizar-se constantemente e, assim, a atrair para si o eterno protagonismo, mesmo que este seja obscuro. Por isso, o trabalho dos representantes é mesmo secundário, pois precisam acompanhar as “transformações”, pois atrasá-las não é mesmo eficiente, pois estão a lutar contra uma força bem maior do que eles.

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Podem fazê-lo, como já o fizeram ao mandarem muitos para as fogueiras inquisitoriais, mas não para sempre, pois as possibilidades mudam com os devotos e transformam e elevam ainda mais o espírito diretor e “superior”. Um dia, a casa acaba por cair para os representantes e novas formas – ou reformas – acabam por acontecer.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XII)

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