glossário do esquema conceitual do possível serdual - subversão

Subversão

“Há um estranho sentido ordenador na voz do GPS que você logo estará a obedecer incondicionalmente: “siga em frente, depois vire à primeira direita…”. É isso que percebemos dele, que parece ser onisciente, onipresente e onipotente. Houve quem olhasse para cima, logo quando esta tecnologia foi lançada, para perceber quem era a lhe seguir e como estava a lhe dizer exatamente o que fazer, na hora “certa” que apareciam as ruas “certas”, pois parecia realmente que estava a ser seguido por alguém a lhe acompanhar e a vigiar, e alguém “de cima” e com uma visão superior de tudo o que há, que conhece todos os caminhos e por isso algo muito mais próximo do transcendental. Era como se fosse a voz divina a lhe guiar nos passos certeiros da vida. Melhor, impossível, literalmente.

A subversão então ocorre quando a representação passa a imperar sobre a realidade. A representação, mesmo sendo oriunda da realidade, não é tão rica, nem qualitativamente, nem quantitativamente. E, ainda que seja, não se situa no devir e, por isso, é sempre diferenciada. Isto faz, afinal, parte do processo de causação imanente e dá o merecido valor às representações que, afinal, possibilitam mais possibilidades e também mais oportunidades.

Não podemos considerar a subversão como algo imediatamente prejudicial, portanto, mas sim algo funcional que flexibiliza a relação com o tempo e com o espaço e, portanto, que leva às possibilidades e às oportunidades da própria transcendência, a saltar da realidade vivida no devir para a projetada no futuro ou a imortalizada no passado, para além da imanência que, afinal, é bem mais limitante do que a própria transcendência.” (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XV)

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