glossário do esquema conceitual do possível serdual - transumanismo

Transumanismo

“Da mesma forma, as impossibilidades reais que são declaradas assim, viram possibilidades, mas não viram “universais” que sejam “possíveis” aos sujeitos. Mas, pode ser um grande incentivo agregador, como por exemplo, para que a obsessão capitalista crie também um produto, ainda mais exclusivo para esta impossibilidade real dos outros, mas possível para quem aceite estar em sua obsessão neoliberal. E uma coisa curiosa se dá, pois já foi criada uma existência para a onsciência, pois há o conteúdo para ela através também do transumanismo. E isso passa a representar uma dimensão ontológica aberta para que seja ocupada, na estrutura capitalista, por quem possa pagar por ela. Duvida disso? Estamos a ir longe demais?

Isto está a ocorrer, ainda que não em uma dimensão totalmente humana, pelos limites que a ciência facilmente perceberá tal impossibilidade. A possibilidade, assim, só acontecerá na dimensão pós-humana, em que as máquinas poderão, no futuro, serem conectadas mentalmente aos humanos. E, com isso, dar-lhes uma estatura potencial de oniscientes, pela capacidade de ter acesso a todos os dados que se queira aceder, em tempo real.

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Aceder ao passado e prever e projetar precisamente o futuro. Estranho, e muito improvável, mas não impossível, pois na mente de todos, isso é mesmo desejável, e por isso vira mesmo uma desejada possibilidade, até mesmo contra os argumentos razoáveis mais básicos, como o velho e esquecido bom senso. O que pensou ao ver o Google Glass, que são óculos que prometem dar informações interativas entre o mundo digital e a realidade vista. Em quanto tempo isto pode se transformar em uma lente de contato ou mesmo em um chip a ser implantado no cérebro?

Percebe-se assim que, ao deparar com um conceito de impossibilidade real, mas desejável, o objeto passa a ser um meio para um fim. O homem, enquanto objeto, precisa passar da categoria de humano para pós-humano. E isso leva a uma incoerência conceitual, pois humano e pós-humano são categorias distintas. E, assim, cria-se uma “coisa” para dar sentido a um “conceito”.

Muda-se a arquitetura humana para dar sentido ao possível, e isto é mais alto grau de obsessão a agir em estados potentíssimos e puríssimos, pois traz para o indivíduo a responsabilidade para ser aquilo que a obsessão determina que seja, para ocupar o que lhe seja determinado como espaço público, a vencer a hostilidade do território, pois, a estrutura precisa ser transformada na cidade, na forma urbana de uma vida concentrada e harmônica, queira ou não o indivíduo. A onisciência humana já existe como espaço vazio, nas dimensões das possibilidades, em que o pós-humano, em estado de desenvolvimento, está a caminho dele, a ser construído dia após dia.

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Mas, talvez você creia que isto de transumanismo seja exagerado ou ficcional. Não para o empresário sul-africano Elon Reeve Musk, atualmente o homem mais rico do planeta, ao menos enquanto estas palavras estão a serem escritas, e que não apenas lançou o homem ao espaço, com a empresa SpaceX, a promover viagens turísticas com gravidade zero, ou que tenha revolucionado a indústria automobilística com a empresa Tesla e seus veículos elétricos e autônomos, mas que também lançou a empresa Neuralink, que disse servir para «desenvolver interfaces cérebro–computador (ICs) implantáveis… a ser o objetivo final o aperfeiçoamento humano».

Se fosse outro qualquer, duvidaríamos, mas é o Elon Musk, o mais rico do planeta e que já realizou tantas coisas impensáveis de serem possíveis, portanto, é o humano que mais aparenta possuir oportunidades, atualmente. Todos os recursos estão voltados, sem limites, para estas novas tecnologias de suas empresas. A questão não é mais se viveremos assim ou não, mas sim quando isso se dará.”  (em O Guia Cínico e Selvagem dos Jogos da Vida, Cap. XIV)

Transumanismo: Conteúdo Protegido.

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