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O Mapeamento Existencial

Vem a crise, e logo surgem tanto o asco como o interesse pelo abismo...

Não há uma idade certa para as crises existenciais ocorrerem. Elas ocorrem, e causam imensos estragos. Tentar abafá-las é pior. Consumir anestesias pode ser eficaz momentaneamente, mas logo os sintomas reaparecerão, e muito mais fortes.

E nas crises surgem as certezas de que as respostas que existem são insuficientes para explicar o que se sente e o que deseja saber. E depois de uma sucessão de fracassos nas buscas por respostas, percebe-se intuitivamente o que realmente irá resolver a dor da existência: o reconhecimento e a ultrapassagem do abismo que há dentro de si. Não são crises, realmente, são apenas erradamente chamadas assim, pois é um ato evolutivo, de expansão da própria existência rumo a uma transcendência que se mostra relevante.

Crises existenciais: este é o termo incorreto que foi dado pelos que vendem anestesias para dizerem que uma pessoa em estado de desacordo com a própria existência tenha algum tipo de problema psicológico, e para qual eles possuem a cura. Não é um problema psicológico, não se engane mais. E o problema não é apenas da pessoa, mas principalmente de todo o resto. O problema está prioritariamente na estrutura. E, assim, o sistema normativo logo oferece uma anestesia que alivia a condição daqueles que são classificados como “doentes”, mas não faz desaparecer o problema – até porque este não está em quem consome a anestesia. E é por isso que os sintomas logo ressurgirão, mais fortes, mais insuportáveis.

Anestesias são obscenamente ofertadas pelas indústrias da autoajuda, das religiões, das crenças mais absurdas em salvadores e messias, e em tudo o mais que transfere a esperança da “cura” justamente para o que está a causar a própria “enfermidade”. Pede-se ajuda ao que mais agrava o “problema”, em síntese – e por isso estamos como estamos, mais perdidos do que nunca.

Não há nem enfermidade nem cura – pois não há doença. As anestesias duram algum tempo, mas um dia deixam de fazer efeito, mesmo que em doses cavalares. Neste momento, surge a desolação, e evolui até atingir a depressão, dentre tantos outros males contemporâneos que temos presenciado a existir, na nossa atual sociedade da exaustão e da insensibilidade. É preciso um mapa para sair deste campo minado. E para isso o Mapeamento Existencial foi desenvolvido.

Eis a promessa do Mapeamento Existencial – para quem quer existir plenamente, sem mais se intoxicar com as ilusões e mentiras do mundo.

Não é sobre o que você aparenta ser, mas sim sobre o que você realmente é, e também sobre o que poderá vir a ser...

O Mapeamento Existencial não é um teste psicológico, nem nada parecido com o que existe no “mercado”.

Tudo isso – o mercado das anestesias e das conformidades, e que também tem a participação da Psicologia, busca estabelecer certos perfis determinados para acondicionar a todos, e isto é meramente um retrato malfeito do ser, sem considerar que um retrato não define ninguém, pois tudo é movimento constante, e uma completa transformação.

Tais perfis ou arquétipos usados pelos profissionais da anestesias, inserem e limitam o indivíduo dentro de um padrão estabelecido a partir de uma normalidade suposta ser imutável. Por isso, todos possuem algum grau de anormalidade – pois nunca se encaixam na paralisia, visto que são movimentos. O “normal” é a utopia que leva o “anormal” a se perceber diferente do que ninguém é. Não há anormais, poir não há normais… há o ser: complexo, interativo e em constante transformação.

E buscar ser “normal” é péssimo para quem deseja respostas efetivas sobre sua própria vida, sua própria existência, mas é muito conveniente para o sistema, que sempre estabelece um “normal” que lhe é mais conveniente e que todos devem se enquadrar em tais padrões – daí o que muda é o normal, e todos passam a consumir o que há, para atingir este normal que nunca existiu e nem existirá.

O Mapeamento existencial dá um mapa da existência e aponta para os fluxos existentes, e não oferece um mero retrato da mesma, e muito menos estabelece padrões determinados como bons ou maus. É um mapa, e por ser um mapa permite o que mais prezamos: perceber as possibilidades e oportuinades de destinos e movimentos, nos dá a mobilidade mais eficiente e mais agradável.

Cada um possui um mapa só seu. E o tamanho do mapa é o tamanho do universo de quem é mapeado, a partir da própria perspetiva individual, que é e pode ser sempre expandida. Os percursos são mostrados como liberados ou bloqueados, e isto dará uma visão de onde se pode ir e permite uma estratégia de como se pode lá chegar.

Este é o propósito do Mapeamento: tanto uma analítica quanto uma terapêutica, para lidar com a própria existência e com o próprio abismo, sem medos ou ascos.

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